sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um clubinho farisaico - Em defesa das diversas traduções bíblicas.


Vocês estudam as Escrituras Sagradas porque pensam que vão encontrar nelas a vida eterna.”
João 5:39NTLH

Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna.”
João 5:39 - ACF

Analisando a citação bíblica de João 5:39 nas duas traduções apresentadas acima, você consegue enxergar alguma diferença que comprometa o cristianismo ou possa levar alguém à apostasia? Pois é, nem eu! Mas existe um clubinho farisaico na internet dizendo que deveríamos ler apenas as Escrituras na versão Almeida Corrigida e Fiel, porque acreditam somente encontrar na ACF a vida eterna. Para eles, todas as outras versões da Bíblia deveriam ser destruídas, pois todas estão corrompidas e até afirmam, no site dedicado a divulgar suas “verdades”, que são versões produzidas por satanitas para enganar o povo de Deus.


Quem já teve a oportunidade de ler os artigos desse clubinho farisaico sabe do que estou falando. Eles não estão satisfeitos em utilizar somente o espaço de sua sinagoga online para compartilhar seus ensinamentos aos visitantes; também espreitam todos os fóruns na internet onde alguém possa fazer uma ingênua pergunta sobre a melhor tradução para ler ou estudar a Bíblia para logo estamparem aquela propaganda da única imprensa bíblica não satanista, comprometida com a verdade, que ainda publica a única “tradução” fidedigna das Escrituras. O problema é que no meio de tanto “conhecimento da verdade”, acabam cometendo um erro grosseiro: a divergência entre as versões bíblicas não são de ordem de tradução, mas de base textual!

Texto Recebido ou Texto Crítico
A maior parte da contenda está focada nas divergências encontradas entre os dois grupos de textos originais das Sagradas Escrituras utilizados para a tradução das diversas versões da Bíblia. Se você observar, há uma nota nas primeiras páginas de sua Bíblia, ou na introdução de cada testamento, informando qual foi a base de textos utilizada para a tradução. Em algumas Bíblias, você encontrará a informação indicando que a equipe de tradução utilizou o Texto Recebido, ou a sigla TR; mas nas versões mais modernas lê-se “traduzido dos melhores textos”, ou TC. Para entender por que o TC é referido como os melhores textos precisamos saber a diferença entre o Texto Recebido e o Texto Crítico.

Texto Recebido
Textus Receptus, também conhecido como Texto Recebido, Texto Majoritário ou ainda Texto Bizantino, é a denominação dada à série de impressões, em grego, do Novo Testamento que serviu de base para a Bíblia de Lutero, a Bíblia Rei James (KJV) e para a maioria das traduções do Novo Testamento da reforma protestante, inclusive a tradução portuguesa por João Ferreira de Almeida. A tradução bíblica de João Ferreira de Almeida foi executada entre 1681 e 1753 baseando-se em um conjunto de manuscritos de origem Bizantina (Antióquia), que vieram juntamente com eruditos do Oriente (quando de sua fuga para o Ocidente devido à invasão militar islâmica de Bizâncio), sendo que cada um destes manuscritos continha uma parte ou todo o Novo Testamento, sendo eles na quase totalidade dos versos concordantes entre si, tendo sido intensamente utilizados por intelectuais e pelas igrejas até aquele momento. Este conjunto de manuscritos formou a base para o que depois veio a ser conhecido como Textus Receptus1.
O Textus Receptus – Texto Recebido – é na verdade uma compilação dos textos contidos nestes manuscritos, de modo a compor um único texto grego contendo todo o Novo Testamento. A primeira compilação deste texto foi executada pelo teólogo, intelectual, filósofo, humanista e estudioso Erasmo de Roterdão em 1516. Este texto teve posteriormente várias outras edições publicadas tanto pelo próprio Erasmo, como por Beza, Estienne, e pelos Elzevirs, entre outros. As edições consideradas como as principais representantes do Textus Receptus são as edições de Estienne de 1550 (a terceira) e a edição dos Elzevirs de 1633. Deve-se ressaltar que, apesar de todas as pesquisas e revisões dos textos gregos nas diversas edições do Textus Receptus, entre a primeira edição de Erasmo em 1516 e a edição dos Elzevirs em 1633, há uma diferença de menos de 300 palavras em 140.000 que compõem o Novo Testamento, ou seja, apenas 0,002% do total.
O Textus Receptus foi utilizado para a criação de várias outras traduções da Bíblia para várias outras línguas, como as Bíblias de Lutero em 1522, a de Tyndale em 1526, e a do rei Tiago em 1611, e também para a tradução de João Ferreira de Almeida para o português em 1681. É importante, neste ponto, notarmos que o Textus Receptus, diretamente ou através de uma de suas traduções, foi aceito pelas igrejas protestantes após a Reforma, e que esta posição se manteve intocável, no Brasil, até meados do século XX.2

Texto Crítico
O Novo Testamento no Grego Original [Texto Crítico] é o nome de uma versão grega do Novo Testamento publicado em 1881. É também conhecida como O Texto de Westcott e Hort, um reconhecimento aos editores Brooke Foss Westcott (1825-1901) e Fenton John Anthony Hort (1828-1892). É um texto crítico, compilado a partir de alguns dos mais antigos fragmentos das Escrituras Gregas Cristãs e outros textos descobertos até aquele tempo.
Westcott e Hort distinguem quatro tipos de texto em seus estudos. O mais recente é sírio, ou texto-tipo Bizantino, dos quais o mais recente exemplo é o Textus Receptus. O texto-tipo Western é muito mais antigo, mas tende a parafrasear, portanto, também carece de fiabilidade. O texto-tipo Alexandrino, exemplificado no Codex Ephraemi Rescriptus, exibe um estilo grego mais polido. Os dois pesquisadores identificaram o seu “texto tipo” favorito como "Texto Neutral”, exemplificado por dois manuscritos do Século IV, o Codex Vaticanus (conhecido por estudiosos desde o Século XV) e o Codex Sinaiticus (descoberto apenas em 1859), ambos os quais foram cuidadosamente estudados, mas não exclusivamente para esta edição. Westcott e Hort trabalharam em seu texto a partir de 1853 até a sua conclusão em 1881 (Metzger, p. 129). Mais tarde uma introdução e apêndice foram inseridos por Hort, aparecendo em um segundo volume em 1882. Em 1892, uma edição revista foi lançada por F. C. Burkitt. De acordo com Metzger, "a validade geral de seus princípios críticos e procedimentos é amplamente reconhecido pelos estudiosos de hoje." (Metzger, p. 136)3


Conhecendo um pouquinho a origem do TR e do TC, é possível concluir que a única base de texto disponível para João Ferreira de Almeida4 traduzir a Bíblia em português a partir do original era o Texto Recebido. Não há nada de especial ou sobrenatural nisso, trata-se apenas de um fato histórico. Agora, considere o seguinte: Muitos textos, mais antigos do que o TR, foram encontrados. Um trabalho de análise crítica dos textos foi conduzido de forma rígida e com metodologia bem definida para encontrar todas as divergências, chamadas de variantes, nos textos disponíveis para identificar quais manuscritos são os mais antigos com o menor número possível de variantes entre eles. O conjunto de textos que passaram nesses critérios formaram o Texto Crítico, utilizado para a tradução das versões bíblicas mais recentes como a ARA, NVI, NTLH, dentre outras. Qual será o problema em tomar como base os textos mais antigos e mais convergentes excluindo todas as discrepâncias como, por exemplo, erros de copistas? Se os textos são mais antigos, passaram por menos processos de cópias do que textos mais recentes; logo, a possibilidade de erros produzidos por copistas ao longo do tempo é menor.

Muitos diziam que a Bíblia não era confiável porque o vaticano, supostamente detentor da única cópia original da Bíblia, havia deturpado os textos originais adicionando muitos versículos para dar sustento às doutrinas que desejavam ensinar e esconder a verdade sobre Deus, Jesus Cristo e a origem da igreja. Quando os manuscritos do mar morto foram descobertos essas desconfianças caíram por terra, porque os textos são datados do primeiro século a.C. e não foi encontrado até o momento5 nenhuma diferença textual significativa que pudesse justificar a crença nessa teoria da conspiração do vaticano. O que acabei de mencionar é apenas um exemplo da importância de descobertas recentes da arqueologia bíblica e quanto podemos aprender e desmistificar. Descobertas recentes da arqueologia bíblica sempre agregaram valor e autenticidade à Bíblia.

Não quero dizer com tudo isso que o TC seja melhor do que TR, mas é maravilhoso saber que há, em nosso favor, muitas evidências para confiar na Palavra de Deus. Tanto o Texto Recebido quanto o Texto Crítico, na minha opinião, são parte da providência divina na vida da Igreja!


E as divergências entre os textos? Será que o clubinho farisaico não tem razão?
O medo só pode vir mesmo do desconhecido, da ignorância6. Quando entendemos a natureza dessas diferenças entre os textos, logo percebemos que não se trata de um bicho-papão, tão pouco de uma conspiração satanista. Há aproximadamente dois mil manuscritos bíblicos preservados, entre livros completos e fragmentos. É verdade que existem cerca de 400 mil variações entre os textos do Novo Testamento e são tratadas como variações ou diferenças, mas não como erros necessariamente. Quando fazemos uma análise crítica dos manuscritos do Novo Testamento7, podemos encontrar cinco tipos de variações, categorizadas abaixo de acordo com a sua natureza:

  1. Erros de copistas – os manuscritos não foram produzidos por máquinas em gráficas e o erro humano é potencializado quando as cópias são feitas todas à mão, cada cópia feita representava uma nova possibilidade de erro. Um copista, por mais sério e dedicado que fosse, poderia cometer erros ingênuos por cansaço, distração ou a falta de um óculos ainda não inventado em sua época. Hoje, com o auxílio de corretor ortográfico eletrônico, computadores, editores, etc é possível ainda encontrar erros ortográficos nos livros impressos pelas mais renomadas editoras, imagine querer isentar os copistas de erros. “Para nossa vergonha” menciono a Versão ECA utilizada na Bíblia Thompson da Editora Vida8 como exemplo, ela contém muitos erros ortográficos. O mesmo aconteceu com a mais recente tradução da editora Vida Nova9 escrevendo crinça ao invés de criança em Jó 24:9. Todavia, é importante destacar que os erros ortográficos não comprometem minha leitura e entendimento do texto. A mesma realidade se aplica aos manuscritos contendo erros de copistas “descuidados”, tais erros não comprometem a legibilidade ou confiança do texto.
  2. Leitura inviável – são variantes produzidas por apenas um copista. Um único manuscrito é encontrado com dois ou três versículos a mais e nenhum outro manuscrito ou conjunto de manuscritos, contendo os mesmo versículos, são encontrados com datação anterior ou posterior. Fica claro que foi um erro de um único copista e não pode ser considerado como texto legítimo.
  3. Variação na escrita de certas palavras – em 2012 vigora definitivamente o novo acordo ortográfico que visa basicamente unificar a escrita das palavras que apresentavam variantes entre os países de língua portuguesa. Podemos destacar, por exemplo a diferença entre a palavra actual como usada em Portugal e atual no Brasil, ou ainda outras diferenças lexicais mais significativas podem ser destacadas, como: abre-latas e abridor de latas, aterragem e aterrissagem, pontapé de canto e escanteio, etc. O mesmo acontece com a língua grega que sofria variações regionais. Portanto, um estudo lexical sério deve ser levado em conta antes de identificar tais variações lexicais (regionais) equivocadamente como erros entre os diversos textos.
  4. Variante gramatical/sintaxe – o grego não tem uma ordem tão fixa das palavras como no português, porque as palavras recebem sufixos que as identificam como sujeito, objeto direto ou indireto independente da ordem dessas palavras na frase. Alguns manuscritos podem conter variações na ordem das palavras de uma determinada oração, contudo a estrutura diferenciada não compromete em nada a compreensão sintática. O gato comeu o rato e o rato comeu o gato são orações completamente diferentes em português, tanto na estrutura sintática (a palavra que figura como sujeito nas duas orações) quanto na compreensão do que foi declarado, apesar de serem compostas pelas mesmas palavras. Com o grego é bem diferente, essa diferença na ordem do sujeito e objeto (ordem sintática) não comprometeria o significado do que realmente desejava-se declarar com a oração em grego, pois o sujeito e o objeto (as palavras gato e rato respectivamente) seriam identificadas por suas terminações (sufixos) e não pela estrutura ou ordem empregada na oração.
    Há também variantes que não são visíveis na tradução e uma forma de exemplificar essas variantes, comparando com uma característica da língua portuguesa, seria considerar as implicações de compreensão entre escrever a) Ele não era a luz, mas ele veio para que testificasse da luz e b) Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz...”. Você consideraria isso um erro entre duas cópias? Claro que não! Esse tipo de variante representa a maior parte das variações entre os manuscritos.
  5. Variantes legítimas – a última categoria corresponde somente a 1% de todas as variantes encontradas nos manuscritos e são significativas o suficiente para levantar alguma polêmica. Contudo, analisando bem de perto, não vejo um comprometimento da mensagem do evangelho ou de base doutrinária para a maior parte dessas variantes. E se levarmos em consideração que nenhuma doutrina está baseada em apenas um versículo, mas no trabalho da hermenêutica para costurar diversos versículos de suporte, essas variantes tornam-se insignificantes. Variações entre Paulo ter escrito Jesus Cristo ou Cristo Jesus é irrelevante para o significado das frases onde ocorrem. Quando o clubinho farisaico, por exemplo, sataniza as outras “traduções” por causa da variante encontrada em Fp 4:13 é no mínimo uma atitude infantil!10 As variantes mais significativas como o final estendido do evangelho de Marcos11, o Comma Johanneum ou parêntese Joanino12 e o relato do encontro de Jesus com a mulher adúltera13 aparecem entre colchetes na maioria das traduções mais modernas que tomam o TC como base para a tradução.


Superada a dificuldade com as variantes, vamos ao problema da tradução.
Diferente do que o clubinho farisaico tenta alegar, a Almeida Corrigida e Fiel está longe de ser a melhor tradução. Um bom exemplo é Jeremias 48:11 - “Moabe esteve descansado desde a sua mocidade, e repousou nas suas fezes, e não foi mudado de vasilha para vasilha, nem foi para o cativeiro; por isso conservou o seu sabor, e o seu cheiro não se alterou.” A palavra traduzida como fezes é שמריו deשמר e poderia ter sido melhor traduzida como borra (de vinho)14 ou sedimentos, como está na tradução da Almeida Século 21 da editora Vida Nova. Vale destacar que para os integrantes do clubinho farisaico que ojerizam as traduções de equivalência dinâmica, também chamada de funcional, deveriam semelhantemente criticar sua admirável ACF que mantém uma tradução de equivalência dinâmica de Gênesis 2:17, pois não há no texto original hebraico a palavra certamente, uma adição na tradução portuguesa para expressar a ênfase dada no hebraico quando um verbo é duplicado. A tradução deveria ser mais parecida com um morrendo morrerás. É justificável o emprego da palavra certamente em itálico para dar o correspondente semântico de ênfase em nossa língua, mas deixou de ser uma tradução puramente formal (literal) utilizando-se de um recurso da tradução dinâmica. Mas o que dizer da tradução que adiciona uma palavra inexistente no texto de 1Co 14:2,4,13,14? A palavra estranha ou desconhecida não está nos originais, foi adicionada para facilitar a compreensão do texto por força do tradutor e nem mesmo representa uma equivalência dinâmica como no caso do texto de Gênesis. A Almeida Corrigida e Fiel está longe de ser aquela imaculada tradução literal defendida pelos integrantes do clubinho farisaico e também não representa a melhor tradução disponível por uma série de outros motivos.


Qual tradução ou versão devemos ler?
Se você não pode ler nos originais (hebraico, aramaico e grego) a escolha é ler todas elas quando estudar a Bíblia. Recomendo até comparar todas as diferentes traduções disponíveis mesmo que você possa ler direto dos originais. O importante é reconhecer a contribuição e o valor de cada uma delas, comparando e estudando sem preconceitos.

Acredito que seja importante manter a leitura devocional apenas com uma tradução para facilitar a memorização dos versículos, o que é muito importante na vida de todo crente. Nesse caso, talvez o mais importante seja valorizar a compreensão do texto, escolhendo uma linguagem mais fácil de entender, sem ter que ficar recorrendo ao dicionário para verificar o significado de algumas palavras desconhecidas porque você simplesmente não nasceu no século retrasado. Deixe as traduções mais “literais” para quando precisar fazer uma exegese do texto.


Por que não usar uma paráfrase para facilitar a leitura?
O clubinho farisaico sataniza a NTLH por sua simplicidade, dizendo que paráfrase não é tradução e até mesmo já li em um fórum da internet um dos defensores da ACF dizendo que era melhor ralar para aprender o português do que ler as outras traduções corrompidas. Também alegam que a linguagem formal é utilizada para trabalhos sérios como textos científicos, monografias, etc, e a linguagem informal da paráfrase não é adequada para esses casos, tão pouco a Bíblia. É um engano achar que o grego utilizado por todos os escritores inspirados do Novo Testamento foi o grego clássico da elite intelectual.

Durante muito tempo o grego coiné foi considerado uma mistura de grego, hebraico e aramaico. Outros até cogitavam a possibilidade de ser uma língua do Espírito Santo, dada as diferenças do grego bíblico e do grego clássico utilizado pelos eruditos. Descobertas de papiros egípcios nos últimos cem anos demonstram que o grego coiné era diferente do grego clássico utilizado pelos eruditos, porque era o grego usado pelo povo comum para escrever lista de compras, cartas, recibos e outros documentos do dia a dia.

Deus não escolheu a forma erudita da língua para anunciar a sua mensagem de salvação, pois privilegiava a acessibilidade do evangelho em todas as classes sociais. Se escrita no grego clássico, só os eruditos teriam acesso; mas foi escrito na língua do povo para não excluir ninguém da mensagem de vida, um cuidado de quem realmente não faz acepção de pessoas! O Novo Testamento foi escrito com uma linguagem de fácil compreensão para o povo comum e os eruditos não encontrariam dificuldades para ler os mesmos textos. Você não acha que o nosso Deus deseja o mesmo para hoje? Não é esse também o exemplo de Jesus? “E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes.” Marcos 4:3315

Conclusão
Ganhamos com a diversidade e a riqueza de traduções e versões bíblicas à venda no Brasil. Triste seria não poder ter quantas traduções desejássemos por motivo de perseguição e imposição da lei. Perdemos quando tomamos uma postura bitolada, preconceituosa e sem sentido que no mínimo excluiria muitos brasileiro de uma leitura mais acessível e compreensível das Sagradas Escrituras; por não terem acesso à educação de qualidade, a erudição na língua portuguesa seria um complicador. Não quero ser preconceituoso, mas é nossa realidade infelizmente.

O clubinho farisaico deveria lamentar pelos povos que não têm nem mesmo uma paráfrase para ler e louvar a Deus pela liberdade e privilégios que desfrutamos no Brasil.


Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca
Clique aqui para baixar uma cópia em PDF deste texto (4shared)!

DMCA.com


NOTAS
1A denominação “TextusReceptus” tem sua origem na frase em latim: Textum ergo habes nunc ab omnibus receptum, in quo nihil immutatum aut corruptum damus (Tens, portanto, o texto agora recebido por todos, no qual nada oferecemos de alterado ou corrupto). As palavras “textum” e “receptum” foram destacadas do texto para forma “Textus Receptus”.
2http://pt.wikipedia.org/wiki/Textus_Receptus – 04/10/2011
3http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Novo_Testamento_no_Grego_Original – 04/10/2011
4João Ferreira de Almeida nasceu em 1628 e faleceu em 1691. O Texto Crítico foi organizado muito tempo depois de sua morte com base em novos texto encontrados após o século XVIII. Os manuscritos do mar morto são exemplos de textos recentemente descobertos e mais antigos do que os textos que formam o TR, servindo de base comparativa dos textos disponíveis para a crítica textual.
5Até o momento... não que eu desconfie que alguma informação ainda possa ser apresentada confirmando a acusação de conspiração do vaticano, mas que poucos rolos foram disponibilizados para estudo até o momento. São documentos com mais de dois mil anos de idade e estão muito frágeis. Abrir os rolos descuidadamente é correr o risco de destruí-los irrecuperavelmente, tornando o progressos de análise do conteúdo de cada rolo algo muito lento. Porém, de tudo quanto já foi possível analisar e estudar, não há evidências de manipulação intencional dos textos já conhecidos há séculos comparados aos textos mais antigos encontrados nas cavernas de Qumran.
6Não estou empregando a palavra ignorância no sentido de rudeza ou grosseria, mas como a característica ou estado de quem ignora o conhecimento, a falta de saber.
7Observe que a identificação destas variantes foram utilizadas por Westcott e Hort para filtrar os manuscritos e compor o que conhecemos hoje como Texto Crítico.
8Bíblia de Referência Thompson, Editora Vida, 2007 – ISBN 85-7367-379-6 / 978-7367-379-1
9Almeida Século 21, Vida Nova, 2008 – ISBN 978-85-275-0396-9
10 Compare as versões ACF - Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. ARC - Posso todas as coisas naquele que me fortalece.
11Marcos 16:9-20
121João 5:7-8
13João 7:53 - 8:11
14Nelson Kirst, Nelson Kilpp, Milton Schwantes, Acir Raymann, Rudi Zimmer - Dicionário Hebraico-Português & Aramaico-Português, Editora Sinodal & Editora Vozes, 1988, ISBN 85-233-0130-5.
15ARA
Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crop_Book_of_Isaiah_2006-06-06.jpg

10 comentários:

  1. Belo trabalho varão, vou divulgá-lo, pra tantos quantos eu poder.e volta e meia estarei aqui pra aprender mais e mais a palavra de Deus. um grande abraço.

    ResponderExcluir
  2. Fala Otoni,
    Obrigado pela visita e pela participação. Espero que o blog acrescente não somente nos seus estudos bíblicos, mas também de muitos outros irmãos.

    Se você tiver alguma dúvida quanto a alguma tradução em específico, compartilhe aqui e verificaremos juntos.

    Em Cristo
    André R Fonseca

    ResponderExcluir
  3. Graça e Paz!

    Certamente vc tem razão. O fato é que tudo o que cresce demais (em termos financeiros) e gera alguma espécie de controle ou poder, torce a cabeça de muitos que se consideram grandes. Assim vemos o que está acontecendo com a Bíblia Dake, por exemplo, num momento é apresentada como excelente, agora está sendo retirada. No final existem cada vez menos pessoas realmente interessadas em divulgar a verdade e pagar o preço. A maioria deseja ganhar sempre alguma coisa com o que faz.

    Um grande abraço.

    ResponderExcluir
  4. Nem tanto ao mar nem tanto a terra.
    Não apoio nem aprovo os radicais que satanizam traduções que levam em conta textos outros além do Textus Receptus mas, por outro lado, sou contrário traduçòes que pretendem parafrasear e facilitar o entendimento do texto original.
    Vou explicar com um exemplo:

    Suponha que o poema abaixo seja, ao longo dos séculos, perdido em sua forma original em português e existem só traduções dele em inglês. Considerado algo de muito valor que merece ser traduzido de novo em português alguém resolver fazer um esforço.

    Vou apresentar o poema e depois uma tentativa de tradução ao modo da NVI e outras traduções que fazem parafrases e tentam facilitar o entendimento do texto original:


    "No meio do caminho

    No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.

    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    na vida de minhas retinas tão fatigadas.
    Nunca me esquecerei que no meio do caminho
    tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    no meio do caminho tinha uma pedra"
    Carlos Drummond de Andrade

    Tradução estilo NVI:

    "Em nosso vida
    Em minha vida encontrei dificuldades
    encontrei dificuldades em minha vida
    encontrei obstáculos
    em minha vida encontrei obstáculos

    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    estando já velho e lembrando de minha vida.
    Nunca me esquecerei que na minha vida
    encontrei obstáculos
    encontrei dificuldades em minha vida
    em minha vida encontrei dificuldades"
    Carlos Drummond de Andrade

    Passados alguns séculos e traduzindo de volta o poema do inglês para o português alguem diria que a tradução está errada? Não, não está errada, em termos, mas... parece que perde algo do brilho, da beleza... Parece que é uma ofensa ao autor.

    ResponderExcluir
  5. Alexandre Rodrigues

    Concordo com você quanto à perda de certo brilho quando se traduz de lá para cá e vice e versa. Mas considere o seguinte:

    1) Você só é capaz de perceber que houve perda por conhecer a língua original e as nuances de sua língua. Há certos casos em que a tradução é impotente para transmitir todas as cores da língua original. Um caso bem conhecido é a palavra "saudade" em português. Como ela perde brilho ao passar para o inglês!

    2) Imagine se tratassem o inglês por tradução formal para expressões como: "it is a piece of cake". Dizer que algo é um "pedaço de bolo" corresponde ao nosso "mamão com açúcar". Dizer "mamão com açúcar´" para os brasileiros há significado, mas não para um americano. Ele precisaria conhecer nossa cultura profundamente. Por que não traduzir "cingir os lombos" por "arregaçar as mangas"?

    Portanto, se o objetivo é facilitar o entendimento do que se intencionou dizer sem depender que o leitor tenha conhecimento prévio da língua original, da cultura etc; a tradução funcional como da NVI ou NTLH são válidas e recomendadas. Veja quantas interpretações equivocadas já foram criadas por tomarem ao pé da letra uma palavra da tradução formal.

    A NTLH e NVI são de grande valor para pessoas com dificuldade de leitura. Só para começar o vocabulário que ele vai ter que lidar é muito menor. As traduções formais são por demais elaboradas, ricas sim, mas difíceis para o povo comum. Minha filha pré adolescente conseguiu completar sua leitura anual da bíblia com muito mais interesse e prazer em sua NTLH do que em sua leitura inicial frustrada na Revista e Atualizada.

    Depende, portanto, do seu propósito. Se você deseja fazer uma exegese do texto, você precisa consultar uma tradução formal. Se você quer uma linguagem mais direta em seu idioma para facilitar a compreensão sem ter que dar muitas voltas, faça uso de uma tradução dinâmica (funcional).

    Espero ter acrescentado mais alguma coisa. Se ainda desejar ampliar o assunto com mais algum comentário, fique à vontade.

    Paz em Cristo,
    André R Fonseca

    ResponderExcluir
  6. ola André ; muito esclarecedor o seu texto bom demais; e aproveitando o assunto que sugestão vc me daria de uma boa biblia de estudo?um abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Alex martins,
      agradeço sua visita e participação!

      Para escolher uma Bíblia de estudos é preciso levar em consideração a sua linha teológica e/ou denominacional. por exemplo, a Bíblia de Estudos Pentecostal é recomendada apenas para quem é de denominação pentecostal. A Bíblia de Estudos de Genebra, apesar de ser uma das melhores e com o maior número de notas de rodapé no mercado, é recomendada apenas para os presbiterianos ou aqueles que se alinham com o calvinismo/teologia reformada. E por aí vai, as opções são variadas e seria indispensável ter ciência de qual denominação ou linha teológica são os autores das notas de rodapé para não cair em conflito com suas próprias convicções.

      A Bíblia de Estudos NVI e a Bíblia de Estudos Almeida são boas opções neutras quanto à quaisquer dogmas. Ou seja, suas notas são exegéticas e trazem o contexto histórico dos textos em análise sem necessariamente ser tendencioso a uma teologia denominacional. Quando alguma nota aborda a questão teológica, estará limitada à teologia bíblica, não denominacional.

      A Bíblia de Estudos NTLH é bem interessante, mas se você deseja trabalhar os textos exegeticamente, sua tradução não é a mais recomendada. Escolha a tradução mais formal e próxima dos originais grego e hebraico (Almeida Corrigida ou Atualizada).

      A Bíblia de Estudos Thompson não tem notas de rodapé, apenas uma cadeia temática dos versículos para que você possa analisar sozinho e chegar às suas próprias conclusões lendo os versículo relacionados por tema. Se precisar de alguma explicação de nível histórico ou da língua, usos e costumes por exemplo, você vai ficar sem respostas e precisará recorrer a outras fontes.

      Espero que seja o suficiente para orientar a sua escolha. Escrevi também uma avaliação da Bíblia de Estudos Almeida que você pode conferir neste link: http://www.andrerfonseca.com/2012/01/minha-avaliacao-da-biblia-de-estudo.html

      Se ainda desejar perguntar mais alguma coisa, fique à vontade compartilhando sua dúvida aqui.

      Em Cristo,
      André R. Fonseca

      Excluir
  7. muito obrigado André melhor que isso sera dificil(rsrs)só para constar sou de uma denominação batista reformada;e já que vc ofereceu la vai;.Entre nvi,e ntlh (no caso de tradução)penso ser a nvi melhor;vc concorda? e por ultimo rsrsrs,sobre a biblia shedd vc tem alguma opinião formada?Mto obrigado ! grande abraço fique na paz em Cristo!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Alex Martins,
      Você perguntou: Entre nvi,e ntlh (no caso de tradução)penso ser a nvi melhor;vc concorda?

      Melhor para quê? Se é para evangelizar, eu acho que NTLH mais acessível para a maioria das pessoas. Facilita a compreensão de pessoas com pouco estudo e não impede em nada a compreensão dos letrados. Entende?

      A NVI é melhor para estudos exegéticos comparada à NTLH, mas ainda sim é uma tradução de equivalência dinâmica como é a NTLH.

      Apesar de não declarar isso publicamente, pelo menos eu nunca vi, Russel Shedd parece ter uma teologia reformada. Todavia, suas notas de rodapé da Bíblia de estudos é bem neutra. O problema dessa Bíblia de estudos é a mesma de todas elas, nunca vai falar de tudo! Eu faço coleção das Bíblias de estudos para ter um apanhado de vários autores e, na soma delas, chego a alguma conclusão... Você sempre encontrará aquele versículo de difícil interpretação sem ter sido comentado e isso é frustrante. Às vezes, o versículo é até comentado, mas de forma insuficiente. Outro dia busquei um comentário do Shedd e ele se preocupou mais em dizer qual interpretação não era correta, do que concentrar-se em defender a interpretação correta. Depois que eu li, disse: ok, já sei que não é isso, mas é o que então? Isso é frustrante!

      Já que você é de uma igreja batista reformada, você tem à disposição duas opções: Bíblia de Estudo de Genebra e a Bíblia de Estudos MacArthur. A Bíblia de Estudos ESV tem sido adotada pelos reformados nos EUA, mas ainda não chegou aqui. Se você tem o inglês como segunda língua pode incluir na sua lista já; se não, vai ter que esperar.

      Em Cristo,
      André R. Fonseca

      Excluir
  8. ok André! maravilha muito obrigado mesmo ! é que eu tambem tenho algumas biblias de estudo e por vezes fico meio confuso,do tipo quem será que tem razão?.Mas valeu as dicas, que o Espirito Santo esteja a frente sempre no nosso entendimento;e que mais pessoas como vc possam ser levantadas para nos ajudarem .Que DEUS te abençõe.Grande abraço!!!

    ResponderExcluir

Participe! Escreva um comentário, opinião, dúvida ou crítica. Debater e compartilhar ideias são ótimas ferramentas para o amadurecimento. Seu comentário poderá sofrer moderação e será apagado sem aviso prévio se houver quebra de decoro. Comentários em CAIXA ALTA ou sem identificação (anônimo) serão rejeitados.