terça-feira, 10 de janeiro de 2012

As classes sociais do Novo Testamento

Na sociedade pagã as camadas sociais eram vigorosamente delineadas. Os aristocráticos proprietários de terras, os contratadores do governo e outros indivíduos viviam no luxo. Não existia uma classe média forte, porquanto os escravos é que perfaziam a maior parte do trabalho manual. Tornando se mais tarde dependente do sustento dado pelo governo, a classe média de tempos prévios se transformara em uma turba sem lar e sem alimentos nas cidades. Uma estratificação menor prevalecia na sociedade judaica, por causa da influência niveladora do judaísmo. A grosso modo, no entanto, os principais sacerdotes e os rabinos liderantes formavam a classe mais alta. Fazendeiros, artesãos e pequenos negociantes compreendiam a maior parte da população.

Entre os judeus, os cobradores de impostos (publicanos) tornaram se objetos de uma especial aversão, como classe. Os demais judeus desprezavam a esses cobradores de impostos, ou, mais acuradamente ainda, cobradores de taxas, e isso devido ao seu necessário contato com superiores gentios. Os romanos leiloavam as vagas para coletores de taxas numa espécie de concorrência pública, a saber, para os que aceitassem as menores taxas de juros como comissão, em contratos de cinco anos. Os coletores de taxas recolhiam não somente as taxas e suas respectivas comissões, mas também tudo quanto pudessem embolsar ilegalmente. Por essa razão, como igualmente devido à sua colaboração com dominadores estrangeiros, os cobradores de taxas geralmente eram odiados. O suborno pago aos cobradores de taxas pelos ricos aumentava ainda mais a carga que recaía sobre os pobres.

No império romano, os escravos quiçá fossem mais numerosos que os homens livres. Era comum condenar criminosos, endividados e prisioneiros de guerra à servidão. Muitas das declarações e parábolas de Jesus dão a entender que a escravidão também existia na cultura hebréia de Seu tempo. As epístolas de Paulo refletem a presença de escravos nos domicílios cristãos. Muitos desses escravos médicos, contadores, professores, filósofos, gerentes, balconistas, escriturários eram mais aptos e mais bem educados que seus senhores. Alguns escravos conseguiam sua redenção a dinheiro, ou então recebiam a liberdade da parte de seus senhores.

Originalmente, os escravos que se tivessem tornado criminosos eram os únicos que podiam ser executados por crucificação. Mais tarde, todavia, libertos que houvessem cometido crimes hediondos também passaram a sofrer a crucificação. Durante o assédio de Jerusalém, no ano 70 D. C., Tito crucificou nada menos de quinhentos judeus em um só dia, fora das muralhas da cidade, a plena vista do povo que ainda se encontrava no interior das mesmas. (Josefo, Guerra dos Judeus, V. xi.1.) A execução na fogueira, em que a pessoa viva era amarrada a um poste no meio do combustível, ocasionalmente chegou a ser praticada. Noutras oportunidades, homens condenados foram forçados a lutar como se fossem gladiadores, nas arenas. Grupos inteiros algumas vezes assim se chacinavam, em combates simulados.


Texto extraído do livro: Panorama do Novo Testamento - Robert H. Gundry, EdiçõesVida Nova
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