segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os níveis sintático, semântico e pragmático na interpretação bíblica

Em termos mais práticos, é possível falar de três níveis de análise: o sintático, o semântico e o pragmático. Nem sempre é fácil distinguir um do outro, mas isto não impede que, para fins de exercício, se tente fazê-lo.

O nível sintático tem a ver com o relacionamento dos signos linguísticos entre Si. A pergunta fundamental, neste caso, é: Como é que essa comunicação foi formulada ou está estruturada?

No nível semântico o intérprete dá atenção ao relacionamento entre a forma dos signos e o que transmitem, isto é, seu significado. Neste caso, a pergunta é a seguinte: Como se deveria ou se deve entender aquilo que está sendo dito? O que é isso que se está dando a entender?


A pragmática descreve a relação entre os signos e as pessoas que se valem deles. Aqui, a pergunta é esta: O que se quer alcançar com aquilo que está sendo dito? Qual é a intenção?

A isto se poderia acrescentar um quarto nível de análise, a saber, o nível canônico ou teológico. A pergunta a ser feita, neste caso, é: Qual a contribuição deste texto para o contexto canônico? Como este texto se relaciona com outros textos bíblicos? Parte dessa análise pode ser incluída na leitura semântica do texto, mas, dependendo do texto, talvez compense dar a esse passo um tratamento em separado.

Já houve quem descrevesse esses três passos como texto, teologia e aplicação. Levando em conta o modelo do trivium clássico, pode-se falar em gramática, lógica, e retórica. A gramática ensinava a escrever; a lógica, a pensar; e a retórica, a argumentar. Ler com vistas à gramática é ler atentando para o que está escrito; ler com vistas à lógica é prestar atenção à mensagem que está sendo comunicada; ler com vistas à retórica é procurar detectar, no texto, elementos persuasivos[1].



Extraído do livro: Principios De Interpretacao Biblica - Introducao A Hermeneutica com Ênfase em Gêneros Literários - Scholz, Vilson - Editora Ulbra
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NOTA
[1] Aqui cabe notar que a ênfase na dimensão retórica de um texto é uma reafirmação da intenção autoral. Quem procura persuadir já revela uma intenção. É claro, no caso de literatura, essa intenção não existe mais fora ou acima do texto.

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