Esta mensagem foi preparada por mim para a Igreja Batista em Jardim Santíssimo (RJ) e realizada no dia 29 de maio de 2011. Segue abaixo o sermão na íntegra.
Nosso pastor já havia determinado um tema para a reflexão desta noite. Apesar de ter me deixado livre para trabalhar qualquer outro assunto, decidi manter o tema já proposto porque o achei interessante e acredito ter algo para acrescentar dentro dessa proposta de sua série de mensagens: Deus quer abençoar a sua família. Então, pratique os seus ensinos!
Nosso pastor já havia determinado um tema para a reflexão desta noite. Apesar de ter me deixado livre para trabalhar qualquer outro assunto, decidi manter o tema já proposto porque o achei interessante e acredito ter algo para acrescentar dentro dessa proposta de sua série de mensagens: Deus quer abençoar a sua família. Então, pratique os seus ensinos!
O que compartilharei com os irmãos durante a reflexão desta noite pode não ser exatamente o que nosso pastor tinha em mente, porque não recebi dele nenhum esboço e há diversas maneiras de tratar um mesmo assunto, sem estabelecer contradições ou invalidar um ou outro ensino. É apenas uma questão de ênfase. Dependendo da pessoa, do momento, das necessidades urgentes ou não, das experiências vividas de cada indivíduo, a ênfase de uma pregação pode variar sem, contudo, invalidar nenhuma delas.
Considerando essas questões, passei a semana repetindo o tema da pregação na tentativa de extrair dela sua essência, o conteúdo que deveria ser comunicado. O que se quer dizer com essas duas frases?
Há uma frase declarativa inicial: Deus quer abençoar a sua família. É seguida por uma conjunção (então) que introduz a próxima sentença imperativa – pratique os seus ensinos – como se esta ordem fosse uma conclusão óbvia da declaração primeira: Deus quer abençoar a minha família. Isso é verdade? Podemos encontrar exemplos bíblicos de famílias abençoadas pela prática do ensino bíblico, o ensino da Palavra de Deus, ou seja, do próprio Deus como revelação de sua vontade? Vejamos:
A primeiro família da terra, Adão e Eva, é o primeiro exemplo do que pode acontecer quando não damos ouvidos aos ensinamento de Deus. No caso deles, as consequências foram catastróficas! O pecado entrou no mundo, se impregnou em todos os seus descendentes, a natureza sofreu, as mulheres tiveram as dores do parto multiplicadas, seu desejo passou para o seu marido, e ele a dominaria, o homem precisaria colher os frutos da terra com o suor do seu rosto, e por aí vai uma breve descrição das mazelas iniciais que foram se desdobrando até os nossos dias e que nos traz tanto pesar. Por causa de uma não observância de um ensino de Deus, pai Adão e mãe Eva precisam agora arcar com o ônus de criar seus filhos num mundo hostil fora do perfeito e agradável jardim do Éden. A escolha do casal resultou em castigo, pesar, não só para eles, mas também para seus filhos, a primeira família da terra.
O exemplo se repete com Caim e Abel. Todos nós conhecemos a história, mas gostaria de destacar o alerta que Deus traz a Caim antes de ele pecar.
O Senhor disse a Caim: "Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo". Gn 4:6-7
Caim resolve não dar ouvidos aos conselhos do Senhor e logo nos versículos seguintes temos o registro do primeiro homicídio da história da terra.
De cara, já percebemos a dificuldade que temos em praticar os ensinos de Deus para alcançar sua benção. Como já podemos constatar que a negligência traz desgraça, sua observância traz benção e Deus deixa isso bem claro em Deuteronômio 11:26-28 através de Moisés.
"E Moisés disse ao povo: —Hoje vou deixar que vocês escolham se querem bênção ou maldição. "Vocês receberão a bênção se obedecerem às leis do SENHOR, nosso Deus, que estou dando a vocês hoje;" ou receberão a maldição, se não obedecerem às suas leis, mas rejeitarem os mandamentos que eu lhes estou dando hoje..."
E novamente em Deuteronômio 30:19 - "Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam".
Que benção é resultado de obediência e maldição é resultado de desobediência já ficou claro com essas duas passagens. E para que ninguém diga que só citei exemplos de desobediência posso ainda mencionar Abrão cuja obediência abençoou todas as famílias da terra e ainda o próprio Senhor Jesus que fez tudo quanto o Pai ensinava e foi perfeito em tudo. Sua obediência até o fim nos garantiu a tão preciosa salvação.
Romanos 5:19 - "E assim como muitos seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também muitos serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem".
Se desejar, em casa, você pode dar uma lida no livro de 2Crônicas. O livro está recheados de: E fulano fez o que era bom aos olhos do Senhor... benção. Mas beltrano fez o que era mal aos olhos do Senhor... maldição.
Bem, acredito que já extraímos exemplos suficientes para afirmar que as proposições do nosso tema são verdadeiras. Deus quer abençoar a minha família na medida em que sou obediente, na medida em que coloco em prática os seus ensinos. Mas, agora, a pergunta que fica é: Como é que eu faço isso?
A prática dos ensinos do Senhor é na verdade um meio de identificação, é a marca registrada do crente. Vejamos Mateus 11:50 – "Pois todo aquele que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe. "
Em João 14:23 encontramos: "Se alguém me amar, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, e viremos para ele e nele faremos morada." Ainda em João 14:21 lemos: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, ou seja, conhece os mandamentos e os cumpre, pratica, esse é o que me ama!" Em 1João 2:3-6 encontramos: "E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele; aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou".
Praticar os ensinos de Deus está classificado dentro do estudo da teologia sistemática como: santificação. A santificação é um processo que se inicia na vida do cristão em sua conversão e vai progredindo para a perfeição que é a medida de Cristo. Algumas pessoas têm um progresso muito rápido em sua santificação e outros são muito lentos. É natural que seja assim... Mas é importante saber que nunca seremos perfeitos nessa vida com relação à nossa santificação. Vejamos o que Paulo diz de si mesmo em Filipenses 3:13-14 - "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus".
Agora, a santificação não pode vir antes da justificação. E o que é justificação? Wayne Grudem dá uma sucinta definição de justificação em seu Manual de Teologia Sistemática, vejamos: “justificação é o ato legal, instantâneo de Deus pelo qual ele considera nossos pecados perdoados e a justiça de Cristo pertencente a nós e nos declara justos diante dele.”
Eu só posso alcançar a santificação por meio da justificação e a justificação vem apenas por intermédio da fé. Romanos 3:28 - "concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei." Romanos 5:1 - "Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo".
Dando continuidade a esse caminho inverso chegamos ao ponto inicial: É necessário nascer de novo! "Pois quem é nascido da carne é carne, quem é nascido do espírito é espírito" - João 3:6.
"Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." Romanos 8:5-9
Deus quer abençoar a minha família? SIM!
Consigo praticar os seus ensino para ser abençoado? Depende... Você já nasceu de novo?
Antes de dar a reflexão por encerrada quero fazer 3 alertas!
Alerta #1
Para praticar qualquer ensino é preciso primeiramente conhecê-lo e entendê-lo. Como posso praticar sem antes saber o que é, e como posso fazer da maneira certa se não estudar cuidadosamente o que o ensino de fato quer ensinar?
"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." Oséias 4:6
A falta de conhecimento de Deus acarreta consequências para o indivíduo e seus filhos, sua família.
Alerta #2
Para aprender e colocar em prática os ensinamentos de nosso Deus é preciso crer que a Bíblia é a Palavra de Deus, é Deus revelado ao homem por meio de palavras, estruturas gramaticais e vocabulário riquíssimo.
Se você acha que a Bíblia não é a Palavra de Deus, então os ensinos não têm valor algum. Se você acha que a Bíblia contém a Palavra de Deus, você dilui, enfraquece seu ensinos e acaba abrindo margem para dúvidas e questionamentos de sua validade e aplicabilidade hoje. Os ensinos de Deus são eternos e não estão sujeitos a avaliação da modernidade. O mundo corrompido pelo pecado não pode ditar as normas de interpretação e validação dos ensinos bíblicos. Eles são tão válidos hoje quanto foram há 2.000 ou 5.000 anos atrás.
Entendendo que a Bíblia é a Palavra de Deus, trate a Bíblia com o respeito e reverência que ela merece. A presença de Deus no monte Horebe fez do monte lugar santo. Moisés, tire as sandálias dos seus pés porque o lugar onde pisas é santo. A Bíblia não é um livro comum, é a perfeita revelação de Deus para você, quando você abre a Bíblia para ler, é Deus falando contigo. Valorize esse bem como de um valor incalculável!
"Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR." Jeremias 9:23-24
Alerta #3
Não podemos cair no mesmo erro farisaico de querer fazer da prática, da observância dos ensinos do Senhor um mero ritual. Jesus disse: "Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas" - Marcos 7:13.
Para a parábola do bom samaritano os judeus perguntaram quem era o seu próximo, uma maneira de querer exemplificar, tipificar a figura daquele que seria o seu próximo para poder fazer do ensino um mero rito.
"Bom mestre, o que devo fazer para ganhar a vida eterna?" O que devo fazer!? Será que estava em sua cabeça as obras da lei para fazer tal pergunta, como se a salvação não fosse por meio da fé e dom de Deus?! Será uma lampada de Aladim?
Vamos cuidar para não fazer da obediência, da prática dos ensinos do Senhor por prazer, um mero cumprir ritualístico para obter as bençãos do Senhor.
Deus fala de Jó com brilho nos olhos... parece até um pai coruja..."Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal". Qual foi o questionamento do Diabo? "Por acaso Jó serve a Deus sem interesses? Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que todos os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra."
Pois bem... Qual será nossa postura num momento como esse? Envergonharemos o diabo rendendo graças ao Senhor mesmo na adversidade mostrando que obedecemos e praticamos seus ensinos pelo amor que temos nEle ou demonstraremos o nosso vil coração com atitudes que comprovam uma prática dos ensinos apenas por interesse nas bençãos?
Não valorize as bençãos, valorize o abençoador!
Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca
Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Genie_Lamps_007.JPG
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