O autor do texto analisado[1] apresenta a Palavra de Deus como sendo na verdade uma multiplicidade de palavras. O termo Palavra de Deus torna-se genérico à medida que compreendemos como Deus se revela ao homem de forma geral e especial. Uma vez que o homem não pode conhecer a Deus sem que Ele se revele em uma linguagem humana a tarefa de compreender a estrutura teândrica da Palavra de Deus torna-se árdua e frustrante.
“Uma primeira forma de “palavra de Deus” é de caráter narrativo e se refere brevemente à salvação já realizada […] É uma palavra cujo sujeito é Deus, como agente principal da história; cujo conteúdo é a salvação e cujo objetivo é o povo […] A palavra de Deus implica uma relação radical com o agir de Deus na história. […] Uma segunda “palavra” é usada geralmente no plural como “palavras do Senhor”: são os mandamentos que Deus dá ao seu povo, […] Um terceiro tipo da “palavra” são as bênçãos e maldições”... [1]
“O verbo era Deus e nada do que foi feito sem ele se fez.” João 1:1
João apresenta Deus como o logos, o agente da ação criadora, uma palavra ativa que cria e interage com a criação. O logos, nessa espécie tríplice de palavra (exposição histórica, mandamentos, bênçãos e maldições), forma uma unidade que é a Aliança. Essa revelação geral de Deus através da Aliança é então complementada pela revelação especial através dos profetas. A Palavra Profética está intimamente ligada à Palavra da Aliança. A Palavra Profética tem como função atualizar a Palavra da Aliança e esta atualização não implica alteração ou revogação de qualquer tipo. Podemos citar o caso de Nínive com o profeta Jonas e por último, vale também incluir, o “completíssimo tratado teológico” de Paulo aos Romanos que lança luz a tudo o que foi comentado até o momento dentro da ótica da Nova Aliança.
João apresenta Deus como o logos, o agente da ação criadora, uma palavra ativa que cria e interage com a criação. O logos, nessa espécie tríplice de palavra (exposição histórica, mandamentos, bênçãos e maldições), forma uma unidade que é a Aliança. Essa revelação geral de Deus através da Aliança é então complementada pela revelação especial através dos profetas. A Palavra Profética está intimamente ligada à Palavra da Aliança. A Palavra Profética tem como função atualizar a Palavra da Aliança e esta atualização não implica alteração ou revogação de qualquer tipo. Podemos citar o caso de Nínive com o profeta Jonas e por último, vale também incluir, o “completíssimo tratado teológico” de Paulo aos Romanos que lança luz a tudo o que foi comentado até o momento dentro da ótica da Nova Aliança.
“As duas “palavras” fundamentais, a palavra da Aliança e a palavra profética, não são como algo fechado e imutável; são dotadas, ao contrário, de uma força dinâmica, tendente à dilatação do seu significado e do seu poder...” [1]
Levando em consideração essa realidade da revelação divina como a Palavra ativa e interativa com o homem e sua história, fica fácil aceitar os livros históricos e poéticos do Antigo Testamento como, também, Palavra de Deus. Todavia, essa afirmação de uma realidade mais abrangente da Palavra de Deus traz uma certa inquietação quando, do estudo da crítica textual, há a tentativa de destacar o que é essencialmente palavra divina do que é palavra humana. Os autores foram divinamente inspirados, foram movidos por Deus para a Sua revelação de forma misteriosa e respeitosa, não cabe acreditar que a revelação foi dada mediante uma psicografia mística.
“... Se aquela palavra é bem do profeta e, ao mesmo tempo, também de Deus, segue-se que a intenção de Deus não pode ser nem um uso do autor, como se fosse ele um rígido instrumento, nem um puro sugerir verbal.”[1]
Acredito que seja possível equilibrar o conflito levando em consideração que Deus possa ter se revelado de forma cem por cento divina com cem por cento de contribuição humana mediante sua onisciência. Deus conhece o instrumento escolhido para sua revelação e sabe como a ferramenta se comportará em sua mão virtuosa. Comparo ao piano que tem muitas teclas e cada uma delas tem um som diferente, a inspiração não está necessariamente nas propriedades e características do instrumento e sim no pianista que conhece seu instrumento e move a execução da música de acordo com as propriedades do instrumento.
A inspiração musical pode ser entoada com um carácter diferente dependendo do instrumento adotado para sua execução, alguns instrumentos tem um timbre mais melancólico e adocicado, outros mais brilhantes e alegres, sendo que essas diferenças não comprometem sua participação em uma contribuição plena à execução da inspiração movida pelo músico.
Uma nova inspiração de um compositor só será conhecida/revelada ao ouvinte mediante sua execução através de um instrumento que será eleito por ele mediante as características que melhor interprete sua inspiração. Elevando essas considerações supracitadas ao nível orquestral, a crítica textual se depara com a mesma realidade, sendo possível distinguir as diferenças tímbricas dos diversos profetas como instrumento do mover de inspiração divina, fazendo da Palavra uma combinação de propriedades cem por cento humana e cem por cento divina!
A inspiração musical pode ser entoada com um carácter diferente dependendo do instrumento adotado para sua execução, alguns instrumentos tem um timbre mais melancólico e adocicado, outros mais brilhantes e alegres, sendo que essas diferenças não comprometem sua participação em uma contribuição plena à execução da inspiração movida pelo músico.
Uma nova inspiração de um compositor só será conhecida/revelada ao ouvinte mediante sua execução através de um instrumento que será eleito por ele mediante as características que melhor interprete sua inspiração. Elevando essas considerações supracitadas ao nível orquestral, a crítica textual se depara com a mesma realidade, sendo possível distinguir as diferenças tímbricas dos diversos profetas como instrumento do mover de inspiração divina, fazendo da Palavra uma combinação de propriedades cem por cento humana e cem por cento divina!
Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca
NOTAS
1 - SCHOEKEL, Luis Alonso. O Antigo Testamento como palavra do homem e palavra de Deus. In: SCHREINER, Josef. (ed.) Palavra e Mensagem: introdução teológica e crítica aos problemas do AT. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1987. p. 9-25.
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