Com o objetivo de lidar com o problema do mal, é útil fazer a distinção entre o problema intelectual do mal e o problema emocional do mal. O problema intelectual do mal pode ser apresentado como interno e externo para o teísmo. Como problema interno, ele tem duas versões: a versão lógica e a versão probabilística. A versão lógica do ptoblema do mal assevera que a coexistência de Deus e do mal (ou a quantidade observada e os tipos de mal) é logicamente impossível.
Hoje essa versão do problema foi quase universalmente abandonada por causa do ônus da prova para demonstrar a impossibilidade da coexistência de Deus e do mal (observado) e é um fardo pesado demais para o ateu carregar. A versão probabilística do problema do mal envolve um ônus de prova menos pesado, uma vez que ele assevera a existência de Deus é meramente improvável em relação ao mal no mundo. Contudo, pelo menos três considerações mostram que os ateus não foram capazes de sustentar o ônus desta prova: (1) A existência de Deus ainda é provável em relação à plena extensão da evidência; (2) Não estamos em boa posição para avaliar com confiança a probabilidade que Deus não tenha razões moralmente suficientes para permitir os males; (3) O teísmo cristão implica doutrinas que aumentam a probabilidade da coexistência de Deus e do mal.
Mais recentemente, os ateus argumentaram que o mal apresenta um problema não interno, mas externo para o teísmo. A presença de mal desnecessário no mundo é defendida como incompatível com a existência de Deus. Mas o movimento-chave no raciocínio ateísta será a demonstração de que o mal que parece ser desnecessário é realmente desnecessário. As mesmas considerações levantadas ao se considerar a versão probabilística do problema interno do mal voltam a assombrar os ateus, pois é extremamente difícil provar que o mal no mundo é desnecessário. Além do mais, alguns teístas afirmam que o teísmo não é incompatível com o mal desnecessário em primeiro lugar, que Deus, com o objetivo de alcançar seus fins, pode permitir males que, em si mesmos, são desnecessários.
Por último, o teísmo cristão, com sua doutrina do sofrimento e morte vicária de Cristo, tem os recursos para satisfazer o problema emocional causado pelo mal.
Texto extraído: Filosofia e Cosmovisão Cristã - J. P. Moreland & William Lane Craig
Vida Nova, pp. 670-671 - Resumdo do capítulo: O problema do mal / Filosofia da Religião e Teologia Filosófica
Fonte da imagem: http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=192

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